2 anos: Tão longe, tão perto. Ou, como é morar 2 anos em Portugal.

Cada dia 06 de Outubro vai ser assim: aquele misto de saudade e felicidade, ao som de samba e fado.

Hoje faz 2 anos que eu deixei o Brasil para morar em Portugal. Há dois anos eu saía da minha Porto Alegre de mala e cuia, literalmente, com destino ao meu novo Porto.

E que sorte a minha de ter escolhido esse Porto para ancorar.

Quem já esteve cá sabe do que eu falo: a Invicta faz uma marca permanente na gente. O sotaque do Norte, o Vinho Verde, a Ribeira, a Torre dos Clérigos, os Aliados, a Ponte Dom Luís, a Serra do Pilar. A gente do Porto ❤

Eu apaixonei-me pelo Porto, e ele retribuiu.

Cada caminhada pelas ruas estreitas e antigas dessa cidade fazem-me lembrar porque eu tou aqui, e ajudam a compensar a saudade de quem tá lá.

Saudade essa que ganha outros contornos quando tu estás na terra em que inventaram a saudade.

Há dois anos, eu não sabia o quanto seria difícil lidar com ela. Ainda é, tanto que eu evito pensar e falar várias coisas para não disparar o gatilho da saudade.

Porque aqui eu me descobri mais sensível. Mais à flor da pele. Mais passional e menos durona. Mais latina e menos germânica. Logo eu, que evitava contato físico.

Num daqueles dias difíceis por aqui, há um ano ou pouco menos, eu me dei conta de uma coisa bem importante e essencial pra quem mora longe: eu tava sentindo falta de abraço.

Parece bobo, mas não é. Eu percebi que fazia algumas semanas que eu não recebia um abraço. Que meus contatos humanos eram no máximo dois beijinhos rápidos, ou só um oi. E eu queria um abraço.

Ali foi um daqueles momentos em que eu assumi a brasilidade e passei a dizer pras pessoas: eu sou brasileira, eu cumprimento com abraços! (Já estendendo os bracinhos como um bebê querendo sair do berço).

E eu me vi melhor. Mais bem nutrida emocionalmente.

Morar longe tem dessas, a gente se descobre muito.

Além de tudo o que a gente aprende sobre a cultura do país (desde hábitos de compras no supermercado até relacionamentos afetivos, é tudo muito instigante pra uma antropóloga), a gente aprende muito sobre si mesma.

Há dois anos eu me mudei para Portugal. E eu me conheço muito melhor agora do que quando eu cheguei.

Se eu pudesse deixar um inbox para a Lívia em 06/10/2015 eu diria coisas do tipo:

  • Pergunta mais as coisas. Não fica com vergonha. Tu não é obrigada a saber que lixívia é água sanitária e o Google não vai te responder isso.
  • Te permite errar. É tudo novo pra ti, pros teus olhos, pro teu cérebro, pra tua boca, pro teu coração. Deixa cada um deles sentir se é bom ou se é ruim, se é certo ou se é errado.
  • Fala com as pessoas, é o único jeito de entender o sotaque e estabelecer relações.
  • Tem paciência. As coisa não estão demorando, é suposto ser assim, porque tu precisas aprender várias coisas que tu nem imaginas hoje para poder realizar as coisas que queres logo.
  • Tu vais conhecer pessoas maravilhosas e vais ganhar melhores amigas para a vida. E não vai demorar muito. Então relaxa e não te menospreza.
  • Aproveita mais a tua orientadora. Vai mais à Universidade conversar com ela, pois vais sentir muita falta dessas conversas aparentemente sem rumo, mas que funcionaram como guias para a tua vida (e não só para a tese).
  • E faz a tese. Serião. Depois vai ficar foda.

Feliz 6 de Outubro pra mim.

 

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2 comentários sobre “2 anos: Tão longe, tão perto. Ou, como é morar 2 anos em Portugal.

  1. Linda!! Te amo muito e esses 2 anos, apesar da saudade, parece que foram ontem. Tua vida é linda e vai ser mais e mais. Bjos de um coração apertado aqui…contando os dias!

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  2. Livia, filha querida,
    Dois longos anos se passaram, talvez os mais longos de toda a minha vida; dias que parecem meses, meses que parecem anos, anos que parecem uma vida.
    Conto os dias que faltam, um a um, para te rever.
    Quem criou a saudade, esse português maluco, tinha a noção do que é estar longe de ti, minha filha.
    O que me consola e me mantém forte é que sei que é o melhor para ti, que estás realizando um sonho, não só teu, mas nosso, de conquistar o mundo, bater asas neste ceusão enorme e azul que nos encanta e seduz.
    Trilhar caminhos já trilhados por outros nos levam aos mesmos lugares, vibro com as tuas conquistas e, principalmente, com a tua felicidade de estar contigo mesmo e bem acompanhada na caminhada que tu mesma escolhestes.
    Segue o teu caminho e conta, sempre, com o teu velho.
    Te amo muito

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