Deixa a vida me levar. Ou sobre como o Zeca Pagodinho te ensina muito sobre a vida.

Desafio 01 brasileiro a dizer que nunca entoou com os braços pro alto, em um casamento ou formatura, ligeira ou completamente embriagado, os seguintes versos:

“E aos trancos e barrancos, lá vou eu! Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu:
deixa a vida me levar, vida leva eu!”

Vai, pode seguir cantando:

deixa a vida me levar, vida leva eu!
deixa a vida me levar, vida leva eu! (loop quase eterno)

É impossível. Seja rico, seja pobre, o velhinho sempre vem. No caso, o Velhinho é o Zeca Pagodinho, presença obrigatória de churrascadas a enchentes.

Pois então. Estava eu aqui pensando na minha própria vida, num momento de auto-análise regado a um vinho branco maravilhoso que eu paguei só 1,42€ no Pingo Doce (isto não é um #Ad #maspoderiaser), quando lembrei do Zeca Pagodinho e dos seus versos tão singelos.

Na verdade, foi uma frase que meu pai me escreveu hoje que me levou a pensar nisso. Papis mandou um whatsapp que dizia, entre outras coisas: “todos os teus sonhos vão se concretizando, porque não este?” O “este”, no caso, era uma situação hipotética que eu dividi , algo que eu nem pensei direito, só vislumbrei e comecei a considerar.

O que me levou a pensar em duas coisas:

todos os meus sonhos vão se realizando? true.

eu sonhei todos esses sonhos? not.

OU SEJA: eu realizei uma cambada de sonhos que eu se quer sabia que eram meus sonhos. fui ver quando chegou perto, ou mesmo quando eu realizei.

e como a gente sabe que realiza um sonho? quando tudo faz sentido e dá um quentinho no coração que a gente não consegue explicar, e nem conter o sorriso.

desde criança eu tinha macro sonhos, daqueles que toda criança meio deslumbrada tem: ir pra Paris. conhecer o Petit Trianon (o outro), fazer moda em Milão, morar fora do Brasil, fazer doutorado. (tá, eu fui uma criança estranha que gostava da Bela e A Fera porque “ela queria mais que a vida no interior”).

o ponto é: eu nunca superestimei esses sonhos. eu criei microsonhos que se realizaram e formaram os meus macrosonhos. e geraram mais sonhos.

quando eu fui pra França a primeira vez eu realizei uns mil sonhos por dia: chorei na frente da Chanel da Rue Cambon (me deixa, vai, foi simbólico pra “menina do interior”), na Shakespeare and Co., nos domínios da Marie Antoinette em Versailles. Ri de gargalhar na grama da Sacre Couer, dos Jardins du Luxembourg, do Jardins des Tulleries. Fiquei maravilhada no Musée des Arts et Metiérs, na Casa do Monet em Giverny, na Tour Eiffel.

E conhecer todos esses lugares me fez querer conhecer outros lugares. E assim os sonhos foram se reabastecendo, numa matemática mágica que transcende progressões aritiméticas ou geométricas.

Numa dessa fórmulas malucas da vida, em vim parar em Portugal. Não era um sonho, mas está sendo. Tanto que às vezes, na rotina louca do dia a dia, é difícil acreditar.

Mas é.

Aqui voltamos para a teoria do filósofo contemporâneo Zeca Pagodinho: deixa a vida te levar.

Olhando pra trás, eu acho que eu tomei boas decisões na minha vida. Muitas delas baseadas em sonhos, outras em realidades (porque eu tenho ascendente em caprica e às vezes necessito do pé no chão), mas eu me deixei levar.

A decisão de mudar pra Portugal foi assim. Uma oportunidade que surgiu e eu deixei a vida levar.

Foi pensando assim que vivi boas e más histórias. Teria feito diferente algumas delas, não todas. Tudo foi para aprender. Mas o que eu mais aprendi foi a recriar sonhos.

Seja quando a gente alcança eles, ou quando falha, é importante saber remontar a magia. Deixar-se apaixonar por outra coisa. Querer um novo objetivo.

Longe de mim querer dar lição de vida aos 30 anos, não me entenda mal. Isso é tudo só uma pensata baseada na minha experiência, na do Zeca Pagodinho, e na vida da minha vó.

Minha Vó? Sim. A Dona Maria Eduarda que me ensinou a não impedir nossos sonhos. Como? Deixa e contar uma breve história pra vocês:

Vó com 92 anos, neta de 28 se mudando de país. Vó diz pra neta: Joguei na loteria essa semana, e se sairem os meus números eu vou comprar uma limousine e um avião. Neta diz: E vai faze o quê com isso, Vó? Vó responde: a limousine é pra sair passear todos os dias e tomar café da manhã na rua com a minha dama de companhia. O avião é pra ir te visitar sempre que eu quiser, porque dizem que os médicos não deixam mais velho como eu voar nesses aviões normais.

92 anos e ela quer comprar um fucking avião pra viajar pra Europa.

E você aí, reclamando da dor nas costas antecipada por causa do feriadão em Floripa.

92 anos e ela ainda sonha.

E você aí, reclamando da vida que queria ter e não tem.

Relaxa, acredita, e deixa a vida te levar para os teus sonhos.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s