Sobre a nossa rede de privilégios nada invisível

Os textos ganham vida quando colocamos as primeiras palavras no papel ou na tela. Comigo é sempre assim: começo criando um conto de fadas e acaba virando um livro do Stephen King por puro capricho do argumento.

Bom, foi comigo assim nesse texto anterior do blog. Comecei a pensar na problemática do emprego relacionado aos privilégios, e acabei num mimimi revolts da geração Y.

Vou voltar pros privilégios.

Então, o meu raciocínio foi mais ou menos assim: ter um emprego é um privilégio. Dã, meio óbvio.

Mas mais do que isso, é um privilégio que foi construído a partir de outros privilégios: como estudar nos lugares certos (ou simplesmente poder estudar, né gente?), conhecer pessoas que te influenciem, ser indicado pro primeiro estágio e aí vai.

Ok, resumi bem resumidinho, bem simplista. Mas vocês me entenderam.
Envolve receber coisas, favores, e é claro, manter-se na posição com a sua própria competência.

MAS e como mostrar sua competência em um ambiente que ninguém te conhece?

Tem uma teoria que diz que, se o Steve Jobs tivesse nascido em qualquer canto subdedesenvolvido do mundo, não teríamos os computadores pessoais. Ou algo assim.

Concordo.
E concordo que ele foi um bastardo sortudo que parou na família certa, no lugar certo, na hora certa. Zeitgeist.

Mas né, a gente não pode contar com a sorte, eventos astrológicos ou heranças de tios desconhecidos.

Então voltamos a pergunta: como mostrar o que você pode fazer onde ninguém te conhece?

Aí eu volto atrás um pouco: como eu cheguei até aqui? O que me deu essas habilidades? E me deparo com a palavra “privilégio” de novo.

Mas não é só o privilégio aquele burguês proveniente do capital e da exploração do proletariado. Esse também. Mas incluí aí o privilégio no sentido bonitinho da palavra: eu tive o privilégio de ter determinadas experiências profissionais devido ao privilégio de conviver com determinadas pessoas.

Exemplo: a Minha Porto Alegre. O projeto mais afudê (pra usar de um palavreado local) que eu já coloquei meus dedinhos. Tive a honra de gerenciar a comunicação no período de lançamento. E só fiz isso porque era a pessoa certa na hora certa. Sendo mais explícita, porque eu estava do lado da minha melhor amiga quando ela resolveu se candidatar para fundadora da rede na nossa cidade. Perguntei: miga, precisa de ajuda? Ela disse que sim. E o resto é história.

Eu era a pessoa mais capacitada pra vaga? Provável que não. Mas também o Nizan Guanaes não tava disponível.

Enfim, vocês entenderam como funciona esse tipo de privilégio, certo?
Passa pela tal da meritocracia, pela rede que a gente vai formando ao longo da vida, pelas nossas escolhas. Às vezes mais importante do que escolher qual faculdade vai cursar é com quem vai falar na hora do lanche na escola.

Tenso isso, né?
E será que deveria ser mesmo assim?

southpark

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